Durante a agenda oficial realizada em Itajaí na última sexta-feira (26), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, concedeu entrevista exclusiva ao portal ND Mais. Na conversa, o presidente abordou os investimentos do Governo Federal voltados ao fortalecimento do Porto de Itajaí, incluindo a ampliação da capacidade operacional do terminal, a futura concessão do canal de acesso com dragagem permanente, a retomada das operações portuárias e o fortalecimento da indústria naval na região.
A seguir, o Porto de Itajaí reproduz a integra da entrevista publicada pelo Portal ND Mais.
Porto estratégico de SC’ terá leilão de ampliação em 2027: ‘estou otimista’
Presidente fez anúncio exclusivo para a reportagem do ND Mais, em Itajaí
O Porto de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, deve passar por uma nova etapa de expansão com previsão de leilão em 2027, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente fez o anúncio em entrevista exclusiva ao ND Mais durante agenda na cidade na sexta-feira (26).
De acordo com o presidente, a estruturação para ampliação da capacidade do terminal já está em fase de modelagem dentro do governo federal, com foco em consolidar o porto entre os principais do país na movimentação de contêineres.
“Já avançamos na modelagem para a ampliação da capacidade do porto, por meio de uma concessão cujo leilão deverá ocorrer em 2027. E estou muito otimista”, afirmou.
Lula também anunciou concessão do canal de acesso ao porto de Itajaí.
Além da futura concessão, o governo também prepara um edital específico para a concessão do canal de acesso ao porto, que inclui a adoção de dragagem permanente. O investimento previsto nessa concessão é de cerca de R$ 311 milhões ao longo de 25 anos, com modelo semelhante ao adotado no Porto de Paranaguá, citado como referência pelo governo.
O objetivo é garantir a manutenção contínua da profundidade do canal, permitindo a operação sem interrupções e a entrada de navios de maior porte ao longo do ano.
Lula também destacou a retomada recente das operações do terminal após um período de paralisação. Segundo ele, ao assumir o mandato em 2023, o porto estava sem contratos e com atividades interrompidas, situação que foi revertida com a entrada de um novo operador e a realização de uma nova concessão.
Desde então, o terminal teria recebido cerca de R$ 250 milhões em investimentos públicos e privados, com retomada de rotas marítimas fixas e movimentação de cargas, especialmente da agroindústria catarinense.
“O Porto de Itajaí voltará a ter o papel que ele sempre mereceu: estar entre os maiores terminais em movimentação de contêineres do país”, afirmou o presidente.
Porto de Itajaí: concessão e dragagem permanente
ND Mais: presidente, o Porto de Itajaí passou por um período de perda de operações e agora vive uma retomada. O que o governo federal considera como meta para o porto nos próximos anos e qual papel ele terá dentro da estratégia nacional de logística?
Lula: O Porto de Itajaí voltará a ter o papel que ele sempre mereceu: estar entre os maiores terminais em movimentação de contêineres do país. E o Governo do Brasil tem todas as condições de fazer isso acontecer. Quando assumi meu terceiro mandato, em janeiro de 2023, o porto se encontrava paralisado, sem contratos, com trabalhadores parados. Uma situação realmente absurda. Rapidamente conseguimos reverter a situação, fizemos uma nova concessão, atraímos um operador privado e o porto voltou a funcionar.
Desde então, o porto já teve investimentos públicos e privados da ordem de R$ 250 milhões, voltou a gerar empregos e a ter rotas marítimas fixas. A produção da agroindústria catarinense voltou a usar Itajaí como sua porta de acesso aos mercados mundiais, mas ainda queremos mais. Já avançamos na modelagem para a ampliação da capacidade do porto, por meio de uma concessão cujo leilão deverá ocorrer em 2027. E estou muito otimista porque, assim como conseguimos reativar esse porto, conseguiremos devolver a ele o papel que merece entre os maiores terminais do Brasil.
Indústria naval e geração de empregos
ND Mais: um dos principais desafios históricos do Porto de Itajaí é a dragagem e a manutenção do canal de acesso. O governo pretende garantir uma solução permanente para que o porto ganhe previsibilidade e competitividade frente a outros terminais do país?
Lula: Queremos uma solução permanente e estamos bastante avançados com isso. Lançaremos, nos próximos meses, o edital para a concessão do canal de acesso ao porto, o que vai garantir que as dragagens sejam feitas continuamente, sem qualquer risco de interrupção. Isso vai representar investimentos de R$ 311 milhões ao longo de 25 anos e, principalmente, a garantia de que o porto consiga receber navios de maior porte ao longo de todo o ano. Usaremos em Itajaí o mesmo modelo empregado em Paranaguá, cujo contrato foi assinado em março passado, com valor de R$ 1,2 bilhão.
O fato é que, depois de anos com a nossa infraestrutura sendo tratada com muito descaso, voltamos a investir de maneira sólida e estratégica. Um país com nossa capacidade exportadora, com umas das agropecuárias mais eficientes do mundo, não pode perder competividade porque governantes acham que todo investimento é um gasto. Na verdade, o investimento é o que nos transforma em uma economia cada vez mais avançada, com oportunidades de emprego, de negócios e de uma vida melhor para todos.
ND Mais: o senhor participa também de uma agenda ligada à construção naval. Como o governo pretende aproveitar a presença do porto e dos estaleiros em Itajaí para transformar a região em um polo ainda mais forte da indústria marítima brasileira?
Lula: Já estamos fazendo isso, investindo e promovendo investimentos privados. Itajaí e Navegantes têm uma grande vocação para a indústria naval e a tecnologia como um todo. E os catarinenses são capazes de produzir embarcações iguais ou melhores do que aquelas que vêm da China, da Coreia ou de qualquer outro país do mundo. É por isso que estamos construindo as fragatas da Marinha na cidade, com investimentos de R$ 13,9 bilhões e geração de 23 mil empregos até 2029. Também é por isso que a Petrobras voltou a encomendar as suas embarcações no Brasil, com investimentos de US$ 6 bilhões – ou mais de R$ 30 bilhões.
Os estaleiros catarinenses construirão 32 embarcações para a Petrobras, no valor de R$ 6,9 bilhões. Para isso, irão mobilizar diretamente mais de 2 mil profissionais. A verdade é que o Brasil perdeu muito tempo importando embarcações em vez de fazê-las aqui mesmo. Os trabalhadores perderam empregos de qualidade. As empresas perderam seus contratos, e muitas tiveram que fechar as portas. No começo dos anos 2000, a indústria naval gerava apenas 2 mil empregos no Brasil. Nos meus primeiros mandatos e no governo da presidenta Dilma, lutamos por essa indústria e incentivamos a compra de navios produzidos aqui. Com isso, em 2014 a construção naval já contava com 82 mil trabalhadores.
Os governos seguintes desmontaram essas políticas e, em 2022, o número de trabalhadores no setor caiu para 23 mil. Conseguimos, felizmente, reverter essa situação, com a nova política de conteúdo nacional da Petrobras, com financiamentos para a indústria, e já temos mais de 70 mil pessoas trabalhando nos estaleiros. Estou certo de que, nesse ritmo, voltaremos a bater o recorde de 2015. E quem mora na região de Itajaí terá ainda mais oportunidades de emprego e de negócios.
Fim dos gargalos logísticos: BR-470, BR-280 e Morro dos Cavalos
ND Mais: os investimentos no porto podem aumentar a movimentação de cargas, mas Santa Catarina convive há anos com gargalos em rodovias federais como a BR-101, BR-470 e BR-280. Como o governo pretende conectar os investimentos portuários à melhoria da infraestrutura terrestre que escoa a produção catarinense?
Lula: Ainda hoje participo da entrega do trecho 2 da BR-470, entre Ilhota e Gaspar. Essa é mais uma daquelas obras que estavam sendo feitas durante o governo da Presidenta Dilma, mas foram paralisadas ou tocadas em um ritmo muito lento até voltarmos ao governo e tomarmos a decisão de retomar o investimento na infraestrutura de Santa Catarina. Mas não é só isso que estamos fazendo. Os demais trechos das obras da estrada estão com andamento avançado. Estamos investindo R$ 1,7 bilhão na adequação da BR-280 entre São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul.
E, em 2024, inauguramos o contorno rodoviário de Florianópolis, na BR-101, reduzindo em muito o trânsito e o tempo de deslocamento nesse importante corredor econômico. Ao todo, os investimentos do Novo PAC em rodovias para Santa Catarina são de R$ 5,9 bilhões. Além disso, estamos abrindo concessões de 3 lotes nas BRs 470, 280 e 282, num total de R$ 24 bilhões.
Os leilões serão executados nesse ano e as obras começam no início de 2027. E vamos dar uma solução ao trecho do Morro dos Cavalos na BR-101, que é um dos maiores gargalos logísticos de Santa Catarina, com investimentos de R$ 3 bilhões. Valores que representam o que queremos para o Estado: um projeto de desenvolvimento justo e soberano e uma economia cada vez mais dinâmica.
O legado do Novo PAC em Santa Catarina
ND Mais: Santa Catarina é um dos estados que mais exportam no Brasil e tem papel estratégico para a economia nacional. Além dos anúncios ligados ao Porto de Itajaí e à indústria naval, quais são os principais investimentos que o governo federal pretende deixar como legado para o estado até o fim do seu mandato? O senhor considera que Santa Catarina recebe hoje investimentos proporcionais à sua importância econômica para o país?
Lula: Santa Catarina está recebendo investimentos federais como há muito tempo não recebia. É importante, aliás, que a população do estado possa olhar o que está sendo feito e comparar com as outras gestões, para verificar se algum outro presidente levou tantos recursos para o estado. Só do Novo PAC são R$ 27,6 bilhões em investimentos diretos previstos em Santa Catarina até 2026, sendo que R$ 23 bilhões já foram executados. Ainda no PAC, já contratamos a construção de casas e apartamentos do Minha Casa, Minha Vida para 63,6 mil famílias catarinenses e autorizamos a criação de 3 novos campi do Instituto Federal de Santa Catarina, em Campos Novos, Mafra e Tijucas.
O Plano Mais Produção, do Governo do Brasil, tem uma carteira de R$ 37,62 bilhões no estado, financiando desde a agroindústria até a transformação digital. Para além do fomento à economia e a geração de empregos, investimos nas pessoas, nos seus direitos e no seu futuro. O Pé-de-Meia garante a 58,5 mil estudantes as condições para concluírem o ensino médio. Tudo isso é investimento em qualidade de vida. E Santa Catarina, pela sua importância, merece e está recebendo esse apoio.
Entrevista originalmente publicada pelo portal ND Mais em 27 de junho de 2026. Reprodução autorizada pelo veículo.